Desafios à Banda Larga

Desafios à Banda Larga

DESAFIOS À BANDA LARGA NO BRASIL

Um ponto de troca de tráfego é importante por três razões: ele melhora a velocidade da Internet, diminui custos de conexão e aumenta a qualidade da rede de forma geral.

O primeiro ponto de troca de tráfego nacional foi criado em São Paulo pela FAPESP (Fundação de Amparo à pesquisa do Estado de São Paulo). Na década de 90, pouco tempo depois da Internet do país iniciar sua comercialização. Antes disto, os provedores eram obrigado a contratar conexões com os EUA, mas para os usuários de diferentes provedores trocarem informações, os dados tinham de ir até os EUA e voltar ao Brasil. O que aumentava a latência (tempo gasto) e os custos envolvidos na conexão destes enlaces (Redes) eram extremamente altos.

Nem todos os participantes de Internet brasileira na época estavam interessados em fazer parte deste Ponto de Troca de Trafego, conhecido como PTT que estava alocado nos EUA. A Embratel detinha o monopólio das telecomunicações brasileiras na época, e lucrava vendendo conexões com o exterior, o conhecido “Transporte de dados até o PTT”.

Porem em 1999 as empresas distribuidoras de conteúdo, também conhecidas como CDNs ou content delivery network (Redes de Distribuição de Serviços) iniciaram sua implantação no Brasil, a primeira foi a Akamai a empresa é responsável pelo armazenamento de vídeos e imagens de sites como Yahoo, Twitter, MySpace, NBA e BBC, Facebook, MySpace, Amazon.com

PanoramaAkamai

Foto panorâmica do NOC da Akamai

O que é um CDN?

CDNs são amplamente utilizados no contexto geral de hoje na Internet, otimizando da entrega de conteúdo de uma percentagem significativa de todo o tráfego da Internet em todo o mundo. Uma rede de distribuição de conteúdo através de servidores que responde diretamente às solicitações dos usuários finais de conteúdo da Web. Atua como um intermediário entre um servidor de conteúdo, também conhecido como a origem, e seus usuários finais ou clientes.

Quais são os benefícios de um CDN?

O principal beneficio de um CDN é Performance, o que significa conteúdo que esta em um CDN é entregue com maior velocidade.
Como funciona? Quando o conteúdo solicitado é armazenado em cache (pré-salvo) pelos servidores de um CDN, os usuários finais obterão esse conteúdo conectando-se ao servidor CDN mais próximo, em vez de aguardarem o pedido para ir diretamente para a origem. Isso resulta em uma melhoria significativa do desempenho para o usuário final. Por exemplo; a Netflix, lançou sua nova serie; The OA este mês e esta nos trend topic´s do Google (mais de 20 mil pesquisas no Brasil desde o lançamento) para assistir on-line, os amantes de series em Jaraguá, Ceres, Itaberaí e Pirenópolis precisariam se o Netflix não estive-se usando um sistema de gerenciamento de conteúdo da nuvem, o pedido de cada usuário final deveria ser feito até o servidor da Netflix onde esta hospedado a serie. No entanto, se a NetFlix usar um CDN e estiver carregado com o conteúdo (a serie The OA), cada usuário pode acessar o novo conteúdo de servidores diretamente em sua cidade ou do CDN mais próximo da sua Rede, salvando a transmissão dos dados solicitados de centenas ou milhares de quilômetros em tempo de ida e volta.

E se o conteúdo ainda não estiver em cache? Quando um servidor CDN não tem o conteúdo em seu cache, ele é capaz de percorrer o comprimento e a largura da Internet usando seu conhecimento programado das inter-conexões entre ele próprio e seus servidores CDN complementares. Isso ajuda a superar os desafios de peering entre ISPs múltiplos, pacotes perdidos devido a interrupções de rede e o tempo perdido na resolução de DNS. Os CDNs avançados também possuem outras tecnologias específicas para lidar com conteúdo dinâmico ou uncacheable.

Tudo isso significa que, através de um CDN, os provedores de conteúdo podem oferecer experiências rápidas e de qualidade para todos os seus usuários finais; Independentemente do local, navegador, dispositivo ou rede a que se ligam. As páginas Web são mais rápidas, o tempo de buffer de vídeo é reduzido, os usuários ficam mais envolvidos e os provedores de conteúdo obtêm mais usuários satisfeitos!

“Um ponto de troca de tráfego é importante por três razões: ele melhora a velocidade da Internet,diminui custos de conexão e aumenta a qualidade da rede de forma geral.”

Antonio Moreira, gerente do NIC.br

Em 2004 a NIC.br assumiu a gestão de uma serie de PTT´s pelo país, um projeto que ficou conhecido como PTT Metro, sendo chamado mais tarde de PTT.br e chegando a seu nome atual IX.br.

Tráfego

Tráfego total (Todos IX.br)

Última Atualização: 2016-12-18 12:00

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Os primeiros passos do NIC.br foi únir todos os pequenos IXs de São Paulo em apenas uma grande infraestrutura. Cada pequeno ponto, tornou-se um ponto de conexão (PIX) do PTT São Paulo, que hoje é o maior do país; são 300 PIXs interconectados na região metropolitana da capital paulista, com mais de 900 sistemas autônomos e o volume de trafego ultrapassa atualmente 1,8 terabit por segundo (Tb/s).

Porem São Paulo é um dos 26 PTTs do Brasil, conforme pode ser visto no gráfico acima, o estado de Goiás esta com 13° posição em volume de tráfego.

Existem duas principais razões para fomentar a expansão da rede de pontos de troca de tráfego por todo o país, redução de custos e democratização da Internet no Brasil. Levar o PTT para um região no entanto pode não ser suficiente. O PTT facilita a interligação local das redes locais e pode criar condições para que os provedores compartilhem parte da infraestrutura, por exemplo; comprando links em conjunto dentro da estrutura do ponto de troca de tráfego. Porem, criar um PTT em uma localidade não garante que as CDNs vão sentir-se atraídas a montar uma infraestrutura própria nesses locais. É preciso que um número expressivo de provedores tenha uma grande base de usuários e tráfego em suas redes.

Uma alternativa é que os próprios provedores presentes convençam as CDNs a instalarem seus servidores de cache dentro da infraestrutura de um deles, para compartilhar com os demais participantes do PTT, dividindo os custos. É o que o NIC.br tenta facilitar com a iniciativa chamada OpenCDN, cujo piloto esta previsto ainda neste ano de 2016.

Na prática, o IX.br também funciona como um PTT internacional, onde redes de fora do Brasil montam sua infraestrutura e chegam aqui pagando os custos para se conectarem a PTTs como os do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Fortaleza e principalmente São Paulo. Nessas regiões estão incluídas CDNs, como Akamai, Google, Netflix, Fastly, Cloudflare e Facebook, e provedores internacionais, como Level3, HE, Seabone e NTT.

Enquanto isto o volume de trafego no país cresce exponencialmente!

Se você chegou até aqui, obrigado!

Espero que tenha apreciado 🙂

 

About the Author
Fabio Santos
Pós-graduado em Engenharia de Redes e Sistemas de Telecomunicações, CEO da empresa Radar Internet, partner da empresa Internet Up e GCOM NETWORKS.

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